Swad, numa perspectiva directa, ou seja, treino de arma versus uso dessa mesma arma como defesa ou melhoria de processos na defesa contra esse tipo de arma, quase nenhum treino que passe para lá do bastão curto e da faca pode ser adequado, pelo menos na minha opinião.
No entanto, fazendo um pouco de "advogado do diabo", a verdade é que treinares com uma faca se não andas com uma faca habitualmente (como eu, que treino mas não ando) também acaba por não ser defesa pessoal "directa", ou seja, parto do principio (correcto, a meu ver) que treinar com esse tipo de utensilio me fará mais facilmente repudiar um ataque com o mesmo, ou em alternativa usar uma chave de fendas, ou encontrar um pedaço de vidro, ou saltar o balcão do café e ir à gaveta das facas, ou em caso de invasão doméstica ir ao punhal trazido de Africa, etc, do que se não tiver treino algum. O mesmo com o bastão. Mas não carregando nenhum dos dois habitualmente, o mais provável é que me veja a defender-me sem eles!
Quando falamos do Sai, Tonfa, Bo e Nunchaku, tudo coisas proibidas (a faca também é, mas a boa da bengala ou do chapéu de chuva não é...), torna-se ainda mais improvável que vá usar directamente esse treino. Tanto mais que eu considero, do que tenho visto (e atenção que esta opinião carece de melhor análise, porque gosto pouco de falar com muita propriedade do que nunca experimentei ou experimentei pouco), que o treino de armas em kobudo carece de algum realismo. Mas nem por isso esse treino não ajuda a:
a - Ganhar um certo habito de manuseamento de utensilios. O bo pode ser trocado pelo taco de snooker, a tonfa por um pedaço de pé de banco ao qual veio agregado um bocado da barra do meio, em T, o nunchaku, em muito da sua movimentação, por uma corrente ou um cinto, e o SAI... Bem, esse é mais dificil! :-)
b - Havendo algum realismo no treino, perceber trajectorias e reacções, nossas e de outros, armados. Por exemplo, treinar nunchaku sem nunca atingir superficies é um perigo! O comportamento de uma arma com uma secção solta é, a partir do momento que atinge algo, imprevisivel para quem nunca treinou o suficiente para, mesmo não podendo prevenir, ganhar rapidamente controlo de novo.
E por fim, pegando no que dizes sobre a auto-defesa fazer parte do programa, e as armas serem tradicionais (muitas vezes, treinadas também de forma tradicional, no que de "irrealista" isso às vezes tem), bom, se a auto-defesa não for o único objectivo, ou seja, for apenas um de vários objectivos, e o gosto pelo treino da arma tradicional da forma tradicional fôr um criador de felicidade individual, e as pessoas tiverem consciência de algumas das coisas que digo atrás... Porque não?

Como sempre, só a minha opinião. E generalizando, o que quer dizer que haverá escolas, estilos e afins que farão as coisas de forma diferente à que uso como base para o que afirmo.